29 de março de 2021

Conhecimento Local Fornece Comparativo das Vazões

No planejamento e manejo do uso dos recursos hídricos, conhecer a dinâmica das vazões é necessário para se fazer comparativos dos períodos chuvosos. Um trabalho diário feito por agentes locais nas cidades de Manga, Matias Cardoso e Montes Claros, a partir da metodologia de conhecimento popular e por meio da instalação e leitura das réguas Linimétricas possibilita quantificar as vazões nestas regiões.

Um exemplo do resultado cotidiano desse trabalho é os dados reunidos na Imagem 1.1 (Comparativo das Vazões do rio São Francisco Estação Manga-CPRM Períodos Chuvosos Anos 2019,20 e 21), aponta que a partir da verificação das réguas Linimétricas e com base na apuração do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o mês de março de 2021, tem sido um período inexpressivo de chuvas se comparado aos anos anteriores, na Bacia de Montes Claros.

Levando em consideração que as chuvas não são iguais em cada estação do ano, na linha verde é possível conferir que no período de setembro de 2020 a início de março de 2021, a lagoa Marginal Cajueiro, recebeu um considerável fluxo de águas em março, de 2020; já em 2021 o fenômeno em decorrência de pouca chuvas e vazão ainda não aconteceu; por outro lado a lagoa da Lavagem já recebeu um significante fluxo de águas no período de 26 de fevereiro, se observado no mesmo período do ano anterior o fenômeno foi contrário.

Esses dados são frutos da observação de pessoas da região engajadas com a observação e cuidado com os recursos naturais, que por meio do acompanhamento diário fazem o monitoramento sistemático das vazões do rio São Francisco e do nível da água nas lagoas marginais, acompanhadas pelo Projeto Integridade ecológica de Lagoas Marginais para conservação da biodiversidade do Rio São Francisco.

Imagem 1 - Equipe de Morrinhos

Nesse sentido, é de grande relevância instituir as medidas de delimitações e quantificação das vazões estabelecendo o comportamento delas, auxiliando no planejamento territorial e uso consciente dos recursos hídricos.

No saber científico a vazão ou descarga superficial, Q, indica o volume de água que passa por uma seção em uma dada unidade de tempo. Esse volume de água que escoa na unidade de tempo é a principal grandeza a caracterizar o escoamento, e suas unidades são normalmente expressas em m³/s.

Os símbolos usualmente nos estudos hidrológicos são: Q = vazão (m³/s); A = área da seção do rio (m²); V = velocidade do fluxo de água (m/s); h = profundidade média na seção transversal do canal (m); w = largura do canal. Expressando matematicamente,

seção transversal do canal (m); w = largura do canal. Expressando matematicamente, temos: Q = A . V.

Para Porto & Zahed (2001), o processo de medição de vazões deve ser descrito de forma detalhada e segura a fim de evitar incertezas envolvidas nas medições ou nos cálculos. Assim, as medições de vazões costumam ser feitas periodicamente em determinadas seções dos cursos d’água (estações ou postos fluviométricos), de modo a medir-se os níveis d’água nos rios e esses valores são transformados em vazões através de uma equação chamada de curva-chave.

O rigor científico é fundamental tanto para a fundamentação, quanto para a apresentação de dados seguros, contudo também é importante valorizar e reconhecer o esforço dos agentes locais que no dia a dia tem o cuidado e interesse de fazer a leitura das réguas e transcrevê-las, esse hábito auxilia a população ribeirinha a fazer um monitoramento diário nas regiões por onde passam o rio São Francisco.

Bibliografia

PORTO, R. L. L.; ZAHED FILHO, K. Precipitação. São Paulo, Apostila do curso Hidrologia Aplicada. Escola Politécnica da USP 2001.

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